Digitalização de documentos da Amazônia por uma equipe franco-brasileira

créditos : CDHBA / Foto : Ludovic Fossard

O Centro de Documentação Histórica da Baixa Amazônia (CDHBA), ligado ao curso de licenciatura em Históriada UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará, Brasil), ganhou um projeto realizado em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), o CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) e a Biblioteca da Universidade da Califórnia.

Esse projeto, coordenado pela pesquisadora do CNRS Émilie Stoll e seus colegas historiadores da UFOPA Gefferson Ramos Rodrigues, Wania Alexandrino e Luiz Laurindo Junior, é dedicado à Digitalização de registros judiciais arbitrados sob regimes autoritários na Amazônia no século XX. Os documentos legais localizados na Comarca de Óbidos, no oeste do Pará, e atualmente sob custódia da Ufopa, serão digitalizados graças ao financiamento do Modern Endangered Archives Program (MEAP). O MEAP dedica-se a digitalizar e tornar acessíveis arquivos dos séculos XX e XXI ao redor do mundo, contribuindo assim para o acesso ao patrimônio histórico e cultural e auxiliando na construção de múltiplas narrativas e perspectivas da História.

Camila Gomes, bolsista da Embaixada de Luxemburgo, escaneando um documento do século XIX (créditos : CDHBA / Foto: Ludovic Fossard)

Os $50.000 concedidos pela Biblioteca da Universidade da Califórnia nos Estados Unidos, além do financiamento da Embaixada de Luxemburgo, serão usados para pagar os pesquisadores e bolsistas e para financiar a compra do equipamento necessário. As atividades serão desenvolvidas ao longo de dois anos, a partir do ano que vem.

A CDHBA, que hospeda a equipe franco-brasileira, foi criada em 2017  com o propósito de catalogar, digitalizar e disponibilizar para consulta documentos históricos da região.

Reunião da Equipe CDHBA (créditos : CDHBA / Foto: Ludovic Fossard)

A força do projeto é o envolvimento de estudantes de graduação. O projeto contará com 12 alunos que serão acompanhados pelos pesquisadores.

“Essa é uma grande conquista, especialmente num momento em que as universidades brasileiras vêm sofrendo gravemente com o corte de recursos, e mostra que as Humanidades têm muito a contribuir com projetos que valorizam a preservação de documentos que registram a vida das populações amazônicas”, enfatiza o coordenador, Gefferson Ramos.

Fontes:

Artigo da Globo

Emilie Stoll (CNRS)

Website do CDHBA